🌙 O Conto de Lunia e o Destino de Rodésia
Dizem que, antes do tempo ser contado, Lunia respirava.
Não como os homens respiram, mas como respiram os mundos vivos — em silêncio, em magia, em vontade. As montanhas guardavam vozes antigas, os rios lembravam nomes esquecidos, e cada criatura, das mais puras à s mais sombrias, existia sob um pacto invisÃvel que mantinha o equilÃbrio.
No centro desse mundo erguia-se Rodésia.
Suas praças eram amplas e claras, banhadas pelo vento suave que vinha dos vales verdes. As muralhas não foram erguidas apenas com pedra, mas com juramentos. Juramentos de proteção, de união e de esperança. Por eras incontáveis, Rodésia foi um farol — um lugar para onde os perdidos olhavam quando a escuridão parecia se aproximar.
Mas nenhuma luz permanece sem ser testada.
Nas regiões onde a luz de Lunia mal tocava, existia um mundo sobreposto, um eco distorcido da realidade: Devildom. Um domÃnio de fogo eterno, sombras famintas e corrupção silenciosa. De lá não surgiam apenas monstros, mas intenções. Desejos de ruptura.
O primeiro a se mover foi o Senhor Vampiro.
Ele caminhava entre reinos como um sussurro, oferecendo poder à queles cansados de perder. Onde passava, a confiança apodrecia, irmãos se voltavam uns contra os outros, e cidades caÃam sem que uma única espada fosse erguida.
Nos vulcões vivos, criaturas demonÃacas despertaram, rasgando a terra com garras incandescentes. Seu ódio fazia as montanhas tremerem, e o medo corria mais rápido que a lava.
No deserto árido, o céu escureceu.
As dunas se ergueram como ondas quando o Dragão Feroz Colossal gira a sua cauda. Seu fogo transformava areia em vidro, e seu rugido ecoava como o fim dos tempos.
E entre montanhas vulcânicas, guardando portões mais antigos que a própria memória, o Minotauro DemonÃaco ergueu-se novamente. Suas correntes se romperam uma a uma, anunciando que os caminhos para Devildom estavam se abrindo.
Era o inÃcio da ruptura.
Rodésia sentiu primeiro.
Na torre mais alta do castelo, Eir, princesa de Rodésia, despertou com o vento cortando seu rosto. Não era uma brisa comum — era um chamado. O céu se moveu, a luz dançou, e algo antigo despertou dentro dela.
Ela não gritou.
Ela abriu as asas de luz que só os escolhidos do destino possuem.
— Lunia precisa de nós — disse, com a voz firme apesar do medo.
Ao seu lado surgiu Dainn, o Mago Real. Seus olhos carregavam o peso de eras estudadas e batalhas sobrevividas. Ele cravou o cajado no chão, e a própria terra respondeu.
— Enquanto eu estiver de pé, Rodésia não cairá.
Nos pátios do castelo, Asuka afiava sua lâmina. Quando o alarme soou, ela sorriu — não por arrogância, mas por coragem. Para ela, enfrentar o perigo era um juramento silencioso.
— Então é hoje — murmurou, avançando.
E nas florestas que cercavam a cidade, Arien sentiu Lunia sangrar. Ela tocou o solo, e as árvores estremeceram em resposta.
A guerra não veio como uma única tempestade, mas como mil feridas abertas ao mesmo tempo. Desertos queimaram, florestas adoeceram, montanhas despertaram em fúria.
Heróis caÃram.
Outros se ergueram.
Rodésia foi cercada por medo, mas não por silêncio. Seus sinos tocaram, suas muralhas resistiram, e seus defensores não lutaram por glória — lutaram porque ainda acreditavam.
No céu, Eir voava, espalhando luz onde havia sombra.
No chão, Dainn sustentava o impossÃvel.
Asuka avançava como o próprio amanhã, cortando o medo.
Arien usava o seu arco e flecha cintilante poderoso.
E Lunia… Lunia resistia.
Dizem que a guerra ainda não terminou.
Que Devildom ainda observa.
Que o Senhor Vampiro ainda sorri na escuridão.
Mas também dizem que, enquanto houver alguém disposto a proteger o outro, a erguer a espada, a conjurar a magia ou a ouvir o coração do mundo…
Lunia jamais cairá.
E assim, o conto continua —
sendo contado à luz das fogueiras,
nos livros antigos de Rodésia,
e no vento que ainda sussurra o nome da princesa que aprendeu a voar.

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